Chuva fina como lágrimas sobre a fria pedra daquele parapeito. Jamais poderia acordar daquele pesadelo de Outono. Negro e brilhante.
Nesse instante sabemos e sentimos o poder hegemônico da velocidade. O absolutismo do espaço-tempo que comanda nossas vidas desde o proto-segundo. A morte não tem sexo. É verdade. Nem sequer escolhe meios ou marca horários. À morte falta o marketing. Essa invenção humana ainda não canonizada.
O vento deixara de ser brisa. A noite deixara de ser medo. O hoje deixara de ser vida. Inquieta e sufocante. Limítrofe como naquele parapeito de decisões.
Cabju Alu.
Todos os significados fogem à mente. Então, o que resta, se somos apenas palavras, logos e signos? A língua é mãe. O consumo é pai. E vivemos em esterilidade criativa. Não temos prole. Breve não mais procriaremos, seremos digitalizados. E a cultura dominante será nosso sistema operacional. EuOS.
Mas não há nada de telemático entre a chuva e o parapeito. Não há personagens diante do ponto final. Descartáveis e nomeáveis. Mitos adoráveis.
(texto escrito em julho de 2003. PQP, que época depressiva.)
7 de junho de 2007
Como lágrimas
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Um comentário:
isso é praticamente um manifesto emo.bonito e cativante.
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